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Rio de Janeiro,22/10/2026

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TSE forma maioria, anula votos de Garotinho e Douglas Ruas será declarado governador eleito do Rio

Com placar de 4 a 0 pela manutenção da anulação dos 274.411 votos de Anthony Garotinho, Douglas passa a 50,88% dos votos válidos e vence a eleição no primeiro turno


TSE forma maioria, anula votos de Garotinho e Douglas Ruas será declarado governador eleito do Rio Foto: Reprodução

Douglas Ruas será declarado governador eleito do Rio de Janeiro no primeiro turno. O Tribunal Superior Eleitoral formou maioria nesta quinta-feira (8) para manter anulados os 274.411 votos recebidos por Anthony Garotinho, encerrando a principal controvérsia que ainda mantinha aberta a possibilidade de segundo turno no estado.

O placar chegou a 4 a 0 pela manutenção da anulação dos votos. Votaram nesse sentido o relator Floriano de Azevedo Marques, Estela Aranha, André Mendonça e Dias Toffoli. Com a maioria já formada, o resultado do julgamento não pode mais ser revertido.

A consequência direta será a retotalização dos votos para governador pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro. Douglas, que terminou a apuração com 4.271.199 votos e 49,27%, deve passar a 50,88% dos votos válidos após a exclusão dos votos atribuídos a Garotinho.

Com isso, não haverá segundo turno para o Governo do Rio.

Eduardo Paes terminou a eleição com 3.706.984 votos, ou 42,76%, enquanto Garotinho havia recebido 3,17%. A retirada desses votos altera a base de cálculo e garante a Douglas a maioria absoluta necessária para vencer ainda na primeira votação.

A matemática já apontava esse cenário desde o domingo.

Sem Garotinho, Douglas tem mais votos sozinho do que todos os demais candidatos somados. Seus 4.271.199 votos superam em 147.771 a soma dos votos recebidos pelos demais concorrentes, retirado o ex-governador da conta.

O julgamento desta quinta-feira também rejeitou o pedido de Garotinho para desistir do recurso contra o indeferimento de sua candidatura. Com isso, o TSE analisou o mérito da situação e manteve a decisão que tornou seus votos nulos.

Garotinho participou normalmente da campanha e apareceu nas urnas porque ainda recorria do indeferimento determinado pelo TRE-RJ. Após a eleição, chegou a apresentar pedido para abandonar o recurso, mas a Corte decidiu prosseguir com a análise do caso.

A definição encerra uma eleição marcada por forte crescimento de Douglas na reta final. O candidato do PL havia começado a campanha aparecendo com apenas 9% em pesquisas e terminou o primeiro turno como o nome mais votado para governador do estado.

Ruas recebeu mais de 4,27 milhões de votos, abriu vantagem superior a 564 mil votos sobre Paes e venceu em 79 dos 92 municípios fluminenses.

O resultado revelou também uma forte capilaridade territorial da candidatura. Paes confirmou seu desempenho na capital, enquanto Douglas avançou pela Baixada Fluminense, São Gonçalo, Região dos Lagos, Serra, Norte, Noroeste, Costa Verde e Sul Fluminense.

O chamado “Rio Real”, expressão usada durante a campanha de Douglas, terminou refletido no mapa das urnas.

A eleição também consolidou a força da direita no estado.

Douglas fez campanha abertamente associado ao campo bolsonarista e recebeu apoio de Flávio Bolsonaro. Na disputa pelo Senado, Carlos Portinho e Carlos Jordy também atuaram em bloco e terminaram eleitos para as duas vagas disponíveis.

O resultado mostrou uma direita capaz de apresentar seus principais nomes de forma integrada durante a campanha.

Douglas pediu votos para Flávio.

Flávio pediu votos para Douglas.

Portinho e Jordy caminharam juntos.

No domingo, o PL terminou com as duas vagas ao Senado e, agora, também com o Governo do Estado definido no primeiro turno.

Eduardo Paes adotou uma estratégia diferente. Manteve aliança com Lula e apoio do PT, mas buscou dialogar com um eleitorado mais amplo durante a campanha. Na disputa pelo Senado, seu grupo tinha Pedro Paulo e Benedita da Silva, que terminou em terceiro lugar.

O contraste entre as estratégias ficou evidente no resultado.

A direita conseguiu concentrar voto e apresentar uma identidade eleitoral mais homogênea. Isso não significa que todos os votos tenham sido transferidos automaticamente entre candidatos, mas ajuda a explicar a coesão observada nas urnas.

A vitória de Douglas tem ainda um componente simbólico.

Meses antes, ele havia sido eleito presidente da Assembleia Legislativa do Rio em meio à crise sucessória do estado. Mesmo ocupando um cargo que o colocava diretamente na linha política do Palácio Guanabara, não chegou a assumir o governo.

Agora, chega ao cargo pelas urnas.

Mais de 4,27 milhões de eleitores votaram para colocá-lo no comando do estado.

O desfecho também encerra a discussão sobre os votos de Garotinho, que gerou críticas à demora da Justiça Eleitoral em resolver a situação antes da eleição.

Mais de 274 mil eleitores foram às urnas e votaram em um candidato cujo registro já estava indeferido no TRE-RJ, mas que permanecia na disputa enquanto aguardava julgamento definitivo no TSE.

A indefinição atravessou a campanha, influenciou pesquisas, alimentou discussões sobre voto útil e deixou o Rio sem saber, desde a noite de domingo, se haveria ou não nova votação.

Agora, a dúvida acabou.

O TRE-RJ ainda precisa realizar a retotalização e formalizar o resultado, mas a maioria formada no TSE tornou irreversível o cenário eleitoral.

Douglas Ruas venceu em 79 municípios, saiu de 9% nas pesquisas para mais de 4,27 milhões de votos e terminou à frente de todos os adversários.

Com a retirada dos votos de Garotinho, ultrapassa a maioria absoluta.

Douglas Ruas será proclamado governador eleito do Rio de Janeiro no primeiro turno.




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