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Rio de Janeiro,28/07/2026

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Prefeitura de Japeri é condenada a indenizar jornalista após agressões e ofensas racistas

TJ-RJ determinou o pagamento de R$ 20 mil à repórter Julie Alves e R$ 15 mil ao cinegrafista após episódio ocorrido durante uma reportagem em um posto de saúde


Prefeitura de Japeri é condenada a indenizar jornalista após agressões e ofensas racistas

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) condenou a Prefeitura de Japeri a indenizar a jornalista Julie Alves em R$ 20 mil e o cinegrafista Vangelis Floyd Ferreira em R$ 15 mil por agressões e ofensas ocorridas durante uma reportagem realizada em outubro de 2020, em um posto de saúde no bairro Mucajá.

A decisão foi tomada pela 4ª Câmara Cível do TJ-RJ, que reformou a sentença de primeira instância. Os desembargadores entenderam que as provas reunidas no processo eram suficientes para reconhecer a prática de racismo e a responsabilidade do município pelos atos atribuídos a um servidor público.

Segundo o processo, a equipe de reportagem produzia uma matéria para o programa Fala Baixada, da CNT, sobre denúncias de moradores a respeito de um lixão ao lado da unidade de saúde. Durante a apuração, Julie Alves afirmou ter sido alvo de insultos racistas, enquanto o cinegrafista teria sofrido ofensas de cunho gordofóbico.

Ainda de acordo com a ação, o então diretor da unidade de saúde, Clodoaldo Silva de Souza, agrediu fisicamente a jornalista com um tapa no braço, fazendo com que o microfone que ela segurava caísse no chão.

Após o episódio, Julie e Vangelis registraram um boletim de ocorrência na 63ª DP. O servidor foi denunciado por lesão corporal, injúria por preconceito e ameaça.

Em declaração após a decisão, Julie Alves afirmou que recebeu a condenação com satisfação, mas ressaltou que o combate ao racismo vai além da responsabilização judicial. Segundo a jornalista, a indenização não apaga o sofrimento vivido e ela lamentou que, à época, não tenha recebido qualquer contato da Prefeitura de Japeri após o ocorrido.

A reportagem que motivou o caso investigava reclamações sobre um lixão localizado ao lado do posto de saúde de Mucajá. Conforme relatado no processo, durante a gravação, Julie e o cinegrafista passaram mal. A jornalista afirmou que sua pressão arterial chegou a 14 por 8, enquanto Vangelis, que é hipertenso e diabético, registrou pressão de 18 por 8 e glicemia de 400 mg/dl.




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