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Rio de Janeiro,17/04/2026

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Motociclistas CLT passam a receber adicional de periculosidade em todo país

Nova regra garante aumento de 30% no salário para profissionais com carteira assinada que utilizam moto no trabalho


Motociclistas CLT passam a receber adicional de periculosidade em todo país Foto: Reprodução

Entrou em vigor nesta sexta-feira (3) o pagamento de adicional de periculosidade para motociclistas contratados sob o regime da CLT em todo o Brasil, informa o portal g1. A medida prevê um acréscimo de 30% sobre o salário-base para trabalhadores que utilizam motocicleta como instrumento de trabalho, como entregadores e motoboys.

A norma foi estabelecida por portaria do Ministério do Trabalho, que passou a classificar como perigosas as atividades realizadas com motocicletas em vias públicas, devido à exposição constante a riscos no trânsito.

Quem tem direito ao benefício

O adicional é destinado exclusivamente a profissionais com vínculo formal de emprego que utilizam motocicleta como parte essencial de suas funções. Isso inclui trabalhadores que realizam entregas, serviços externos e outras atividades que exigem deslocamento em vias públicas.

Por outro lado, a regra não se aplica a todos os motociclistas. Ficam de fora os profissionais que atuam por aplicativos, uma vez que não possuem vínculo empregatício formal. Também não têm direito ao adicional aqueles que utilizam a motocicleta apenas para deslocamento entre casa e trabalho ou em áreas privadas, como dentro de empresas.

A concessão do benefício dependerá ainda de uma avaliação técnica. Cada empresa deverá elaborar um laudo específico, produzido por médico do trabalho ou engenheiro de segurança, para comprovar a condição de periculosidade do cargo.

Riscos no trânsito impulsionam medida

A decisão do governo leva em consideração os riscos enfrentados diariamente por esses profissionais. Dados do Detran-SP mostram a dimensão do problema.

Em 2025, a cidade de São Paulo registrou 1.032 mortes no trânsito, sendo 472 relacionadas a acidentes com motocicletas. O número é próximo ao observado em 2024, quando foram contabilizadas 476 mortes envolvendo esse tipo de veículo.

Os índices reforçam a vulnerabilidade dos motociclistas, especialmente daqueles que utilizam o veículo como ferramenta de trabalho e permanecem longos períodos expostos ao tráfego urbano.

Reconhecimento e desafios

A implementação do adicional é interpretada como um reconhecimento às condições de risco enfrentadas por esses trabalhadores. Ao mesmo tempo, especialistas apontam que a medida pode trazer desafios para empresas, que precisarão se adequar à nova exigência e arcar com o aumento nos custos trabalhistas.

A necessidade de elaboração de laudos técnicos também deve exigir maior atenção das organizações, tanto para garantir o cumprimento da norma quanto para evitar questionamentos judiciais.

Ainda assim, a expectativa é que o adicional contribua para valorizar a categoria e ampliar a proteção a profissionais que estão entre os mais expostos a acidentes no país.




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